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São Paulo Fashion Week
O calendário oficial da moda brasileira
1º DIA
COLCCI
Com coleção inspirada em diários para o verão – “aqueles de papel mesmo, como moleskine”, segundo a estilista Jéssica Lengyel –, a Colcci mostrou coleção baseada em tecidos leves em malha, com aspecto de já usados, gastos pelo tempo. A silhueta era mais solta, com algumas calças mais secas, sempre com a barra dobrada. O cru predominou na cartela de cores, em calças jeans, camisetas, casacos, regatas e peças artesanais com tramas abertas, e foi pontuado por cores fortes (amarelo, pink e laranja, todos flúo) e metalizadas (cobre e dourado). As vedetes da noite, no entanto, estavam recheando as peças. Gisele, como de costume, fez três entradas, com direito a “joinha” para a plateia ao deixar a passarela. Suposto affair de Madonna – meticulosamente, a música “Hung Up”, da cantora, estava na trilha-bootleg do desfile –, Jesus Luz apareceu duas vezes, em sua estreia em solo brasileiro. Mas foi o ator Rodrigo Hilbert o campeão de gritos e assobios por parte dos espectadores. Ao fim do desfile, convidadas deixavam seus lugares procurando segurar o maior número possível de almofadas-brinde, que marcavam cada um dos lugares na plateia.












UMA
V.ROM
Como diz Marie Ruckie, diretora do Studio Berçot, uma das mais importantes escolas de moda do mundo e responsável por implantar os métodos de criação aqui no Brasil, a moda é um métier complexo. Não basta sonhar. Também não basta ser pragmático e objetivo. É preciso intuição e ação. No caso da V.Rom, a marca tem conseguido um bom equilíbrio entre o novo e o comercial. O Verão 2009/10 está coeso e fresco. O competente estilista Igor De Barros imprime em suas coleções a modernidade do novo homem: viril e sensível a um só tempo. Com a utilização de cores ora doces e femininas, ora densas e sujas, formas desconstruídas e fragmentadas, a marca constrói imagens fortes de moda. Os tecidos bem trabalhados deram um ar meio roots à coleção. Como peça importante tivemos os casacos compridos, usados com bermudas. Os rapazes da V.Rom estão sempre em movimento. Parece que os lugares por onde eles passam impregnam-se nas roupas que estão usando, criando colagens divertidas e misturas pouco prováveis. Bonito isso.









PRISCILLA DAROLT
Apoiado na alfaiataria, esse foi o desfile mais chique de Priscilla Darolt. Mas o chique de Priscilla é calcado no contemporâneo. Trabalhando de maneira complexa as formas, a cada coleção equilibra ainda mais sua pesquisa de modelagem. Quando usa tecidos mais leves, mais molinhos como a seda, o algodão e o nylon fininho, torna sua coleção mais palatável e mais comercial para os não iniciados. As estampas florais também aproximam seu trabalho do público, acrescentando feminilidade e romantismo a um trabalho intelectual arrojado. A cartela de cores baseada em rosa, cinza e lilás é bastante sutil e emprestou seriedade para seu Verão 2009/10. Ainda: os sapatos altos de cores doces são puro desejo e a trilha de Hugo Frasa costuma ser sempre uma das mais bacanas do SPFW.
PAOLA ROBBA
OSKLEN
Carnaval na passarela da Osklen, marca que deu início aos desfiles da temporada do Verão 2009/10 do São Paulo Fashion Week. Não foi porém, um Carnaval para inglês ver. Ou franceses, considerando a concentração deles na primeira fila da apresentação, caso do ator Vincent Cassel ("Doze Homens e outro Segredo") e do presidente da Federação Francesa da Costura, Didier Grumbach. O espírito carnavalesco da grife carioca se adequou ao estilo "cool" da marca. Talvez tenha esfriado um pouco o clima sempre tão superlativo da maior festa brasileira, mas fugiu dos estereótipos constrangedores e realizou um desfile de moda, não de clichês, com alguns momentos tocantes tanto para a moda quanto para o Carnaval. Uma bateria de escola de samba deu início ao desfile num som distanciado que lembrava um batimento de coração. A idéia da descontrução da t-shirt (no inverno foi a do moletom) reforçava a idéia de sofisticação simples da Osklen e fazia alusão não só ao Carnaval do sambódromo, mas dos blocos de rua do Rio, onde a fantasia muitas vezes é substituída por uma camiseta. Para compensar a silhueta que aparece menos complexa que em outras coleções, o brilho dos paetês bordados em tons multicoloridos e quentes, o prata e o dourado em várias peças, as sobreposições de tules criando imagens delicadas e alegres pelo colorido não tão comum na Osklen apareceram na coleção. Aos poucos o coração acelera e o ritmo da bateria se impõe na sala de desfiles. É quando os vestidos-camiseta de malha finíssima, com estampa de paetês digitalizada, os tons de rosa e pink misturados no tule que se sobrepõem aos tricôs em formato de rede brancos (que formam a base dos vestidos) dão lugar às peças com mais brilho e volume sutil. O verde e o rosa da Mangueira aparecem misturados em alguns looks, listrados com transparência em outros. Placas de metal usadas para fazer chocalhos viram suporte para um vestido a la "Paco Rabbane revisitado". Nos pés, nada de sandália de prata. Sapatos baixos, brancos, para não atrapalhar o brilho da roupa. Na cabeça, o suporte de arame usado como base para os adereços coloridos de penas e outros materiais carnavalescos aparece nu, despindo o Carnaval do exagero, conservando sua estrutura para transformá-la em roupa, com uma alma de fantasia.







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